O Homem e o Martelo – quando o pensamento vai longe da realidade

Claudia Cruz de La Libra

Você acha que consegue saber o que as outras pessoas estão pensando? Ou o que podem pensar a seu respeito? Quando temos a tendência de ler os pensamentos das pessoas, geralmente presumimos coisas negativas ao nosso respeito. Por isso gostaria de compartilhar com vocês a história do homem e o martelo, afinal quem nunca imaginou o que outra pessoa poderia estar pensando. Essa pequena estória pode nos ensinar muita coisa, confira:

A HISTÓRIA DO MARTELO

Um homem queria pendurar um quadro. O prego ele já tinha, só faltava o martelo. O vizinho possuía um, e o nosso homem resolveu ir até lá pedi-lo emprestado.

Mas ficou em dúvida:
“E se o vizinho não quiser me emprestar o martelo? Ontem ele me cumprimentou meio secamente. Talvez estivesse com pressa. Mas isso devia ser só uma desculpa. Ele deve ter alguma coisa contra mim. Mas por quê? eu não fiz nada! Ele deve estar imaginando coisas. Se alguém quisesse emprestar alguma ferramenta minha eu emprestaria imediatamente. Por que ele não quer me emprestar o martelo? Como é que alguém pode recusar um simples favor desses a um semelhante? Gente dessa laia só complica a nossa vida. Na certa, ele imagina que eu dependo dele só porque ele tem um martelo. Mas, agora chega!”

E correu até o apartamento do vizinho, tocou a campainha, o vizinho abriu a porta. Mas antes que pudesse dizer “Bom Dia”, o nosso homem berrou:
“Pode ficar com o seu martelo, seu imbecil!”

Pare para pensar: Isso já aconteceu ou acontece com frequência com você? Se sua resposta for sim, saiba que esse pensamento é comum entre as pessoas. Ele é considerado pela Terapia Cognitivo-Comportamental como uma distorção cognitiva chamada de leitura mental, capaz de prejudicar seu julgamento, causando sofrimento psíquico quando ocorre com frequência.

A leitura mental consiste em acreditar que se sabe o que as pessoas estão pensando, sem ter evidências suficientes, e não considera outras possibilidades. Na estória do homem e o martelo isso fica muito evidente, ele queria pregar um quadro, mas seus pensamentos foram tão além da realidade, que suas atitudes se basearam em suas suposições infundadas.

Esse erro de pensamento pode gerar na pessoa insegurança, dificuldade nas decisões, baixa autoestima e anulação de si mesmo, pois a pessoa está sempre imaginando o que se passa na cabeça de outras pessoas e geralmente são suposições negativas a respeito de si mesmo.

Mas afinal como aprendemos a leitura mental?

Podemos aprender a leitura mental na infância ou adolescência, com frases do dia-a-dia não intencionais dos pais, mas porém são feitas repetidas vezes, por exemplo:

“Pare de chorar, senão aquele menino pode pensar que você é um chorão”.

Uma outra forma é quando imaginamos o que outra pessoa está pensando e isso acaba por se confirmar, reforçando a leitura mental em outras situações.

3 Dicas para lidar com a leitura mental:

  1. Busque alternativas para o que você está vendo e pensando/supondo.
  2. Considere que suas suposições podem estar erradas.
  3. Pergunte a outra pessoa se o que você está concluindo, condiz com a realidade.

Pensamentos não são fatos, são apenas pensamentos. Quando consideramos os nossos pensamentos como fatos, sem questioná-los, agimos e nos sentimos conforme estamos pensando. Se o homem da estória tivesse parado para pensar se seus pensamentos eram verdadeiros, provavelmente o desfecho poderia ser outro.

Existem outros  tipos de distorções cognitivas que podem gerar emoções negativas, se você imagina o que as outras pessoas estão pensando  e isso ocorre com frequência te trazendo sofrimento, busque ajuda de um profissional. Na Terapia Cognitivo-Comportamental você aprende a lidar e manejar esse e outros erros de pensamentos capazes de prejudicar seu julgamento.

Claudia Cruz

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